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Deixo para escrever após a decisão do finalista da Libertadores para que soe plena a isenção.

O assunto já é morto, porém pode ressuscitar a qualquer momento, dada a capacidade criativa dos seres humanos. Assim sendo, discorrerei a respeito.

Num jogo de futebol, os nervos não são facilmente controlados. Nem no futebol, nem no voleibol, basquetebol ou outras disputas. Entre as quatro linhas os contendores se sentem inimigos. Nos intervalos trocam camisas e se abraçam, mas enquanto a bola está rolando são inimigos mortais.

Isto vale desde as peladas de rua. É comum o desentendimento de grandes amigos quando jogam em times adversários. A aura da disputa envolve de tal forma os jogadores que eles esquecem os laços familiares ou de amizade. Naquele especialíssimo momento, o que vale é a vitória.

Envolvidos pelo clima bélico, adversários são capazes de se agredir por uma disputa de bola. Xingamentos, então, se tornam rotina. Nada representam após o apito final. Ofensas das mais variadas são proferidas por pessoas que se amam e deixam de existir assim que o jogo finda. Um minuto depois estão tomando cerveja juntos.

O xingamento durante uma partida esportiva não pode ser levado a sério.

Tudo isto para defender Maxy Rodrigues, jogador gremista que teria chamado Elicarlos, cruzeirense, de "macaco".

 

 



Escrito por Bruno Quirino às 19h20
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APOSTA

Fábio Seixas, jornalista especializado em Fórmula 1, costuma lançar palpites em seu blog (fabioseixas.folha.blog.uol.com.br), antes das corridas. Aposta quem vencerá, quem será o segundo e o terceiro colocados.

Bárbara Gancia (www.barbaragancia.com.br) faz um desafio aos leitores do seu blog, na mesma linha da aposta de Seixas.

Vou fazer algo parecido em alguns jogos de futebol.

Começo hoje com Grêmio e Cruzeiro: dá Cruzeiro dois a um.



Escrito por Bruno Quirino às 19h09
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TRÊS PERGUNTAS

 

Foto MARCELO TAS

Não é à toa que cada dia fico mais fã do CQC, o programa mais inteligente da televisão brasileira.

Um dos quadros mais interessantes é aquele em que o repórter vai aos corredores da Câmara e do Senado para testar os conhecimentos gerais dos nobres parlamentares.

Nesta segunda-feira levaram os seguintes questionamentos aos deputados com quem trombaram na Câmara:

  • Qual o assunto tratado pela Lei Maria da Penha? (trata de crimes praticados contra a mulher, no âmbito doméstico. Assunto amplamente tratado na imprensa e, principalmente, no Poder Legislativo)
  • O que foi o chamado "Dia D"? (Chama assim o famoso dia da invasão dos aliados à Normandia, na Segunda Guerra mundial. É um dos episódios mais marcantes da Grande Guerra, retratado em inúmeros filmes, livros, documentários, séries de TV, conversas fiadas e etc.) 
  • Que países compõem o BRIC? (Um dos grupos de países mais importantes da economia atual no mundo, é composto por Brasil, Rússia, Índia e China. São países em desenvolvimento, considerados pelos estudiosos como as nações mais promissoras, que devem dominar a economia mundial nas próximas décadas. Há referências à sigla diariamente em qualquer veículo de comunicação do planeta).

O conhecimento necessário para responder corretamente estas simples indagações é básico. Muito menos do que o mínimo exigível para alguém que se propõe a representar o povo de um Estado da Federação.

Quem se assusta diante da sigla BRIC não apresenta condições de sentar no plenário de uma câmara representativa para dizer a vontade popular.

Quem se irrita com o irreverente repórter, exaltado por sua própria ignorância, ao perceber que desconhece completamente o tema da comentadíssima Lei Maria da Penha, não pode pretender trabalhar formulando leis que resolverão as nossas vidas!

Mais interessante que o próprio desconhecimento do básico é a reação dos entrevistados. Alguns enrolam a língua, num conhecido "deputadês", outros fingem que estão extremamente ocupados (chegam a atender uma imaginária chamada telefônica), outros esbravejam contra o repórter. Todas reações de profundos ignorantes!

Difícil acreditar. Nosso Parlamento está repleto de verdadeiros analfabetos de conhecimentos simples, fundamentais. Não me espanta o desempenho do Poder Legislativo.



Escrito por Bruno Quirino às 23h53
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HONDURAS

Acho que o golpe militar em Honduras não irá prosperar.

Para quem não acompanhou, o presidente hondurenho, Manoel Zelaya, foi derrubado do poder no último domingo 28 de junho pelas Forças Armadas. Ao seu posto foi alçado Roberto Micheletti.

Zelaya foi surpreendido em casa e enviado à Costa Rica, enquanto Micheletti era empossado.

Entre as motivações da manobra estariam o interesse de Zelaya em mudar a Constituição para aumentar seu prazo no poder. Assim fosse, nosso FHC teria descido a rampa do Planalto preso em 1997, mas este é outro caso.

Penso que o golpe não terá sucesso porque o mundo hoje não aceita mais este tipo de coisa. Não há espaço para novas ditaduras, sobretudo em países pequenos. E o principal porquê da minha aposta no futuro fracasso é justamente a insignificância bélica do pequeno país caribenho.

Honduras não tem força nuclear para ameaçar o resto do mundo. Não tem mísseis para fazer testes no mar, apavorando seus vizinhos. Não tem economia para bancar um bloqueio econômico mundial. Não tem força política para bancar a ditadura nas convenções internacionais.



Escrito por Bruno Quirino às 21h37
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IRÃ

Sou daqueles que defendem até o máximo a autodeterminação dos povos.

Se um povo extremamete religioso acredita que não se deve fazer uso de álcool, que as mulheres devem andar com os rostos cobertos, que mesmo naquele calor infernal o correto é usar mantos enormes, que é necessário parar para rezar 50 vezes ao dia voltado para certo ponto geográfico, independente do que estiver fazendo naquele momento, paciência dos demais.

A opção foi feita por aquela nação. Ninguém tem nada com isto, respeite-se.

Mas se aquelas mulheres oprimidas resolverem arrancar as burcas, se aqueles homens inteligentes e criativos resolverem brigar para vestir calções e camisetas num dia de sol, aí sim o mundo inteiro tem que bradar. Bradar pelo direito de que as pessoas se manifestem, que tenham direito de, pelo menos, discutir os valores. As organizações multi-nacionais devem exigir que o Estado aceite, no mínimo, o levantamento da questão pelos interessados. Afinal, se há alguém falando em mudanças, talvez a opção popular não seja assim tão exata.

Tudo isto para chegar ao Irã.

Enquanto o povo irianiano acreditar que Mahmoud Ahmadinejad é o melhor líder para aquele país, que assim seja. Que o sinistro presidente rabugento se perpetue no poder, sob aplausos da massa.

Quando, porém, parte deste povo sai às ruas em manifesto e este manifesto é calado pelas forças oficiais do Estado, aí sim temos um problema. Quando a imprensa é controlada a ponto de não poder enviar ao mundo imagens da participação popular em protestos, é necessária intervenção extra-nacional. Todos os grandes líderes devem se manifestar com veemência para exigir que se ouça a voz dos contrários.

O presidente Lula pisou na bola neste caso. Desdenhou dos eventos nas ruas de Teerã, afirmando que não passava de uma briga entre "vascaínos e flamenguistas".

Lula, como democrata que é, deveria ter bradado contra a imposição do silêncio. Se o mundo tem conhecimento das manifestações, é por causa da "imparável" tecnologia, que não conhece freios.

Que algo seja feito logo.



Escrito por Bruno Quirino às 21h26
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RECONCILIAÇÃO

Quanto ao fim da polêmica na Fórmula 1, o comentário que o fato merece é curto.

A Associação das Equipes (FOTA) e a Federação de Automobilismo (FIA) ensaiaram um teatro. Brigaram, prometeram separação, juraram a criação de uma outra liga, pilotos se manifestaram etc etc etc.

No fim, todo mundo junto novamente para o campeonato de 2010.

Tem doido nesse planeta, mas ninguém joga dinheiro pela janela.



Escrito por Bruno Quirino às 21h13
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LEANDRO ALMEIDA

O Atlético agiu muito bem em vender Leandro Almeida.

Boa revelação, um zagueiro de qualidade, embora nenhum fenômeno.

Vendeu por um bom preço para alguém da posição. Foram 2 milhõe de euros por 50% dos direitos. Comparando com Ramires, que saiu por 7 milhões, pode ser considerado um excelente negócio.

Este tipo de negócio não pode ser perdido. O mesmo Atlético deixou de vender Guilherme no final de 1999 e nunca mais pôde fazer dinheiro com o artilheiro daquele Brasileirão. É preciso que a diretoria atleticana tenha humildade para aprender um pouco com os irmãos Perrela.

Se aparecer proposta por Éder Luís, Renan Oliveira e outros, que não seja perdida a chance.



Escrito por Bruno Quirino às 21h09
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JUSTIÇA

De fato, estamos atrasados.

Atrasadíssimos.

Não me venham comparar nossos corruptos com os corruptos "dos outros". O escândalo dos bônus no parlamento inglês está sendo prontamente investigado e haverá punição de muita gente.

Já nos EUA, uma prova de que a coisa funciona. E funciona bem. Bernard Madoff, mega-pilantra do sistema financeiro, foi condenado a 150 anos de cana.

Madoof armou um grande esquema de pirâmide financeira, captando dinheiro de investidores com promessa de lucro fácil. Muita gente acreditou na qualidade de gestor de fundos do bandido e entregou suas economias ao próprio.

Calcula-se que o prejuízo gire em torno de US$ 170 bilhões (CENTO E SETENTA BILHÕES DE DÓLARES).

Os investidores que solicitavam resgates eram pagos com dinheiro novo que entrava sempre, tudo com o acréscimo dos juros contratados.

A coisa explodiu quando boatos deram conta da possível pilantragem e todo mundo quis buscar o seu. Apareceu o buraco.

Desde sua prisão, e Madoff aguardou atrás das grades até o fim do julgamento, passaram-se 6 meses. Em meio ano suas armações foram descobertas, ele foi apanhado pela polícia, julgado, condenado e começa a cumprir pena.

Para comparar, o jornalista Pimenta Neves, assassino confesso de sua então namorada, está solto aguardando resultado de julgamento. Seu crime, cometido à luz do dia e em frente a testemunhas várias, foi praticado em 20 de agosto de 2000. Daqui a menos de dois meses, completa 9 anos.

Patético, triste, sofrível.



Escrito por Bruno Quirino às 21h01
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